
Eu tinha prometido que ia parar com isso. Não prometi a ninguém em específico, era mais uma coisa comigo mesmo. A coleção estava muito grande, não cabia no armário, já haviam pilhas em cima da mesa… Concordo, tava ficando estranho.
Mas não queria largar de uma vez. Seria muito brusco… Talvez uma mudança gradual, primeiro largo um pouco, depois um pouco mais até sobrar pouco nenhum. Mas meu pouco não acaba, sempre tem um pouco mais. Onde ponho agora? Não dá pra deixar no banheiro.
Quando falo disso, até parece um exagero. São duzentas. Mais ou menos. Mais pra mais do que pra menos.
Acho que não vale doar. Ninguém vai querer.
Eu não preciso delas – não faz sentido colecionar coisa que se precisa. Algumas estão meio quebradas, essas eu peguei em acidente. Outras estão novas, na embalagem – é que gosto de visitar o Nicolau e quando tem dinheiro na conta eu compro. Ajudo nós dois, ele ganha comissão e eu fico com minha coisa.
Já não compro tanto. Antes era uma por semana, agora uma por mês. Sinal de melhora, aposto. Gastar dinheiro com porcaria não faz sentido, loucura na certa. Se não rola dinheiro, não tem problema.
Promessa não é dívida. É um outro negócio esquisito, que a gente faz, sente remorso e deixa de lado (e ainda bem que não tem credor). Nem sei quantas eu não cumpri, mas acho que em um bom número delas eu dei cabo, não que precisasse – fiz mais por fazer. Mas essa última tá difícil, gosto tanto de juntar minhas coisinhas, tenho que parar por quê?
Vontade de parar um dia eu até tenho, mas acho que ela tá indo embora sei lá pra onde. Certeza de uma coisa: só não paro agora porque não quero.